Um pouco do que está por trás da compra da Marvel

É difícil entender como os dois maiores rivais do entretenimento em parques temáticos podem compartilhar os mesmo personagens.
O que acontece com a Disney quando ela decide gastar 4 bilhões de dólares na compra da Marvel?
A contar a partir de sua inauguração, em maio de 1999, o parque Universal de Orlando é o único com os direitos de explorar os mais famosos personagens da Marvel na costa leste americana por 15 anos.
Mas, agora, personagens como Hulk, Homem-Aranha e X-Men pertencem ao tio rico, as empresas Disney. Isso dá plenos direitos a trupe do ratinho Mickey controlar o andamento da utilização destes personagens.
Em miúdos, a empresa concorrente pode, e deve, entrar pela porta da frente sempre que achar necessário e conferir todos os documentos, atrações, produtos licenciados e qualquer forma de utilização dos personagens Marvel pela Universal.
É assim que as coisas funcionam: enquanto a Disney checa se os devidos direitos autorais estão sendo corretamente pagos, eles também dão aquela olhada em tudo que envolve o parque, como o número exato de ingressos vendidos, dinheiro gasto por visitante e tudo que uma empresa não gostaria de informar ao seu maior concorrente.
A Universal descarta assim a possibilidade de surpresa ao mudar qualquer tabela de preços relacionada ao parque, o que sempre serve como estratégia de marketing ou tentativa de ganho de mercado.
Pode parecer interessante para os parques Disney, mas quem sai perdendo acaba sendo os visitantes: esse poder sobre a concorrência pode gerar padronização de preços, como o truste, já que os parques Universal e Disney são responsáveis por 90% do mercado de parques temáticos da Flórida.
Estamos falando de uma faca que corta para todo tipo de lado: enquanto a Disney recebe milhões em direitos autorais, ela fica impossibilitada de usar alguns dos melhores personagens Marvel, como no Japão, onde o acordo da Universal prevalece – justamente onde a Disney possui dois grandes resorts.
Em dois anos, ambas as empresas poderão cancelar seus contratos. O problema é que isso seria suficientemente bom e ruim para ambos os lados.